Educadoras que inovaram a educação

5 minutos para ler

Olhe atentamente para a sua jornada como estudante aluno e, entre lembranças de brincadeiras de roda, testes e colegas que fez para vida inteira, você provavelmente vai se deparar com a memória de um professor ou professora que foi muito além do giz e do livro didático, trazendo novas perspectivas para a pessoa que você estava se tornando na época. 

Educadores são figuras essenciais para os caminhos do aprender e, na história da educação, destacam-se profissionais de todo o mundo, que deixaram uma valiosa contribuição para esse campo tão importante para a formação humana.  

Entre tantos estudiosos, apresentamos 5 professoras, brasileiras e estrangeiras que, com seu trabalho visionário, atualizaram a educação, unindo seu repertório ao desejo por mudança: 

Maria Montessori 

A educadora italiana, que também foi a primeira mulher a se formar em medicina em seu país, deixou contribuições que influenciam, até os dias de hoje, escolas no mundo todo.  

Em 1907, criou a Casa di Bambini (Casa das Crianças), onde colocou em prática a educação integral para a vida, que norteava seu trabalho. Nessa escola, deu luz à educação pelos sentidos e pelo movimento, onde os espaços são cuidadosamente pensados para que as crianças se movimentem livremente, com independência e iniciativa própria.

Sua abordagem deu nome ao método montessoriano, que propõe um ensino pautado na autonomia, liberdade com limites e respeito ao desenvolvimento natural do estudante, colocando-o como verdadeiro protagonista de sua aprendizagem. 

Emília Ferreiro 

Foi a partir da década de 80 que a psicolinguista argentina Emília Ferreiro ficou conhecida no Brasil por seu trabalho ligado ao construtivismo, corrente idealizada pelo biólogo Jean Piaget. Os estudos de ambos os pesquisadores levam à conclusão de que as crianças têm papel ativo na construção do seu conhecimento, o que explica a adoção do nome construtivismo. 

A principal contribuição de Emília tem relação com a alfabetização, processo que acreditava não ocorrer de forma desconectada do conteúdo da escrita. Até então, os métodos tradicionais adotavam palavras que têm pouca assimilação por parte das crianças e deixavam de lado o contato dos estudantes com livros, revistas, jornais e outras leituras consideras complexas, por não terem sido completamente alfabetizados.  

Anália Franco

Professora, assim como sua mãe, Anália é lembrada principalmente por sua intensa luta pelos seus ideais, apesar de ter vivido em um período repleto de obstáculos e com espaço mínimo para as mulheres. 

Desde cedo, ela abraçou a causa abolicionista, principalmente após a promulgação da Lei do Ventre Livre, dedicando-se às causas voltadas às crianças, em sua maioria negras, que sofriam com o abandono e a negligência consequentes da época pós-abolição da escravidão.

Seu trabalho foi concretizado, entre outras ações, por meio da criação do Lar Anália Franco. Suas iniciativas tinham viés socio-educacional e, ao longo da vida, passou a defender também a igualdade étnica, a alfabetização e ampliação do acesso à educação e a participação da mulher na sociedade, com autonomia. 

Lydia Hortélio 

Nascida em Salvador, Bahia, em 1932, Lydia Hortélio é uma das principais pesquisadoras da cultura da infância no Brasil atual. 

Sua trajetória é marcada por viagens de norte ao sul do país, reunindo histórias e descobertas que a tornaram uma defensora incansável do brincar, seja ele feito pela criança ou pelo adulto, principalmente quando envolvem cantigas, uma de suas especialidades.  

Seu trabalho se desenvolve há pelo menos sete décadas, anos nos quais reuniu inúmeros brinquedos e registrou as infâncias brasileiras, na qual enxerga a natureza como um dos mais potentes espaços de brincar.  

Uma de suas contribuições mais conhecidas aconteceu no documentário “Tarja Branca: a revolução que faltava”, lançado em 2014, que investiga a importância das brincadeiras e do brincar na felicidade e desenvolvimento humano e social. No projeto, Lydia ressalta que o papel do brinquedo é trazer alegria, criticando a obrigação do brinquedo e brincadeiras terem sempre função pedagógico.

Eda Luiz

Formada em Artes, foi no desafio de ensinar jovens e adultos que Eda Luiz decidiu tornar-se uma pedagoga. Foram 20 anos dirigindo o Cieja (Centro de Integração de Jovens e Adultos) do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, lugar que foi reconhecido pela Unesco como referência no ensino de jovens e adultos. 

É a sua abordagem humanizada que fez a diferença para que a escola se tornasse um local de acolhimento: os alunos organizam-se em roda e decidem o que estudar, debruçando-se em alguns temas por módulos. Além disso, todas as decisões, até mesmo as que envolvem verbas, são decididas em conjunto, em assembleias.

Envolver a comunidade pareceu funcionar na escola, que coleciona histórias de superação entre os alunos, apesar de estar localizada em uma das regiões mais carentes da região. 

Você também pode gostar

Deixe um comentário